Doentes incitados a apresentar queixa
“Sempre que se dirigirem a uma farmácia hospitalar e virem recusados os tratamentos peçam o livro de reclamações e denunciem o caso às associações para que a tutela possa actuar”, sublinhou ontem a presidente da Associação Nacional dos Doentes com Artrite Reumatóide, Arsisete Saraiva. Há pelo menos oito hospitais que não cumprem o despacho do secretário de Estado da Saúde, de Novembro, que dita a dispensa gratuita dos medicamentos nas farmácias hospitalares, quer as receitas sejam passadas por médicos do sector público ou do privado, desde que prescritas em consultas especializadas. O Hospital de São João (Porto), o Amadora-Sintra, os Hospitais da Universidade de Coimbra, o São Teotónio (Viseu), e os hospitais de Bragança, Portimão e Figueira da Foz estão, segundo as associações de doentes, nessa lista.
Há doentes que fazem dezenas de quilómetros para terem acesso aos tratamentos. Em Viseu, uma jovem de 24 anos com artrite reumatóide viu duas vezes recusado o acesso aos fármacos. Segundo Arsisete Simões, a farmacêutica disse-lhe: “Vai-te embora e não venhas cá mais porque eu não te vou dar esse medicamento.” Viu-se obrigada a fazer 62 quilómetros até Lamego, o único hospital na região que facultou o tratamento.
No Hospital Amadora-Sintra, o problema repete-se: “Dizem que o doente e o médico não pertencem ao hospital e que, por isso, não sabem quem paga”, diz a dirigente, lembrando que o próprio despacho garante que o pagamento é feito pela Administração Regional de Saúde.
No Hospital da Figueira da Foz, a mesma médica prescreveu o tratamento a vários doentes. “Foi recusada a medicação a todos, excepto a uma doente que era funcionária do hospital”, disse João Cunha, presidente da Associação Portuguesa da Psoríase.
Fonte:correiodamanha.pt Diana Ramos 19-02-2008















